Caraíva, um caso de amor

Muita coisa mudou em Caraíva, desde a primeira vez que estive por lá. Ou não. Depende do seu ponto de vista…

Como assim depende? Simples. Caraíva é um vilarejo que fica ao sul de Porto Seguro que somente a poucos anos viu a energia elétrica chegar, através do programa do governo federal “Luz para Todos”. Se não me engano, foi algo entre 2007-08. Antes disso, luz elétrica, só através de geradores a diesel, com todos os inconvenientes que isso traz (custo e barulho, só pra citar dois). Com a chegada da rede elétrica (felizmente transmitida no vilarejo de forma subterrânea, sem aqueles postes que enfeiam qualquer lugar), muita coisa mudou por lá, como disse. Mais mercados, pousadas, lojinhas, restaurantes e até – pasmem – internet! (wi-fi, presente na maioria das pousadas). Sem dúvida, algo impensável naquela época.

Mas, por outro lado, Caraíva continua o mesmo vilarejo pacato, belo e hospitaleiro de sempre, um local ideal para quem gosta de praia, natureza exuberante e quer relaxar. Tudo isso ao mesmo tempo, num mesmo lugar.

Esse caso de amor com Caraíva surgiu em 2003, por ocasião de uma caminhada, pela praia, de aproximadamente 85km, saindo de outro vilarejo, chamado Cumuruxatiba, e indo até a conhecida Porto Seguro. Foram cinco dias e quatro noites inesquecíveis, compartilhadas com meus amigos da Unicerj. Apesar de acostumados, só acampamos uma única noite, perto da foz do Rio dos Frades, localizada entre Caraíva e a badalada Trancoso, no quintal da casa de um pescador. Nas outras noites, uma delas em Caraíva, ficamos em pousadas. E lá, ficamos numa em frente do mar (na época se chamava Pachá, agora acho que é San Antônio). Pronto, começava aí o meu encantamento por Caraíva.

Galera da Unicerj, na travessia Cumuruxatiba - Porto Seguro

Galera da Unicerj, na travessia Cumuruxatiba - Porto Seguro

Nessa época não tivemos oportunidade de conhecer melhor o vilarejo, já que o tempo era curto e a distância a ser percorrida, muito grande. Mas voltei lá, no Carnaval de 2005, com outros (grandes) amigos. E apesar da descrença do povo com quem conversava a respeito, achando que a mistura Carnaval e Bahia era sinônimo de muvuca, foi um feriadão repleto de paz, alegria, natureza e, não poderia deixar de ser, caminhadas também. Mais precisamente uma caminhada entre Caraíva e Trancoso, com acampamento novamente no Rio dos Frades. Simplesmente o filet mignon daquela região.

Nascer do sol no último dia do Carnaval 2005

Nascer do sol no último dia do Carnaval 2005

Desde então, acalentava o sonho de poder voltar lá. Até que, inesperadamente, tive a chance de poder voltar lá em outubro passado, mas dessa vez com minha família. Até brinquei, dizendo que, nas outras vezes, não imaginava que relativamente pouco tempo depois voltaria lá casado, com uma criança e um bebê! É a vida sempre nos surpreendendo…

E, da mesma maneira que das vezes anteriores, mais uma vez foi uma viagem inesquecível. Só a chegada de canoa, ao deixar o carro na outra margem do rio Caraíva, já marca a alma. E emociona quem já passou por ali e relembra outros momentos.

A sugestão para ficarmos na pousada Brilho do Mar, no próprio estacionamento, mostrou-se perfeita. A menos de 20 metros da praia, num canto tranquilo do vilarejo e com gente hospitaleira e querida (alô Có, aquele beijão!) . Em pouco tempo, já parecia da família.

E o tempo, que no primeiro dia mostrava-se instável, nos brindou com dias espetaculares, de muito sol, mas pouco calor. Em suma, a receita completa para se passar umas férias inesquecíveis.  É lógico que não poderia deixar de ir também na Praia do Espelho, pertinho dali, seja de carro ou de barco. Ou, para aqueles querem ir curtindo as praias desertas até lá, a pé mesmo (umas 3 horas, só de ida). Não importa o jeito. O que importante é estar lá, de corpo presente, vivendo aquela praia fantástica, eleita uma das 10 praias mais bonitas do Brasil.

Mas mesmo não visitando as paradisíacas vizinhas Praia do Espelho (ao norte) e Corumbau (ao sul), nem o clássico passeio de boia rio abaixo ou um passeio de barco, basta ficar ali na beira-rio, comendo um pastel no Boteco do Pará, observando as pessoas, jogando conversa fora e namorando o rio, para depois contemplar um pôr-do-sol magnífico. Mas se você não gosta de pastel, não tem problema. Pode ficar por ali meditando, fotografando ou até mesmo sem fazer nada. O que importa mesmo é estar ali, vivenciando aquele lugar, sorvendo cada momento daquele em comunhão com tudo aquilo que está diante de nossos olhos e da nossa alma. Como diria um amigo de andanças por aí, obrigado Senhor.

Na beira-rio, fotografando e esperando o pôr-do-sol

Na beira-rio, fotografando e esperando o pôr-do-sol

E o tempo voa, os dias passam rápido. Exige curtíssemos aqueles momentos da melhor maneira possível. Acho que conseguimos. Minha esposa, que no início não levava muita fé no lugar (“espero que essa viagem não seja uma dessas furadas em que você se mete por aí de vez em quando” – se referindo às minhas escaladas e caminhadas Brasil a fora), amou o lugar, sempre conversando com a respeito com aquele brilho nos olhos. E também ao ponto de se interessar em ver uma casa pra alugar (quem sabe um Reveillon com amigos e familiares?)!

Em relação a mim, preciso falar mais? Voltei de lá recentemente, mas voltaria novamente, HOJE, para matar uma saudade típica de quem ama. E percebo que esta terceira viagem à Caraíva consolidou de vez esse amor. Se tornou um amor maduro, daqueles que nos completam, sem sabermos como e porque.

Enfim, quando me pedem para descrever Caraíva, tento passar algo além das belezas naturais. O clima, a energia do lugar. Obviamente, é impossível traduzir tudo isso em palavras. É algo que transcende o racional. É para ir, vivenciar e sentir.

Até a próxima, meu Amor.

***

Prometo que em breve colocarei aqui algumas informações que são úteis para quem também deseja ter essa experiência chamada Caraíva. Aguarde.

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Uma resposta para Caraíva, um caso de amor

  1. Marcia blumma disse:

    Também amo caraiva, amo tanto que comprei uma casinha lá.
    Blumma

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