Um aniversário no Dedo de Deus

Você já se imaginou com 65 anos? Mais: já imaginou como irá comemorar esse aniversário? (claro, se você não for uma Testemunha de Jeová – nada contra, por favor). Bem, um querido amigo da Unicerj fez 65 anos e comemorou esta marca especial de várias maneiras. Mas uma delas, sem dúvida, foi incomum: escalando o Dedo de Deus! E tive o privilégio, a honra e a ventura de poder estar lá presente, fisicamente. Mais ainda: de poder guiá-lo montanha acima e de poder dar esse presente a ele, juntamente com outros amigos, todos formados na ETGE/2003 (ideia do aniversariante Carlos Alberto, apoiada por todos), com a exceção do Leo.

Não cabe aqui relatar os pormenores desta especialíssima excursão. Mas não posso deixar de citar a demora e o cansaço (entramos na trilha às 5 da matina, saindo às 9 da noite), a dificuldade em alguns lances e o receio de cair (não guiava uma montanha desse porte a um bom tempo), a angústia e a frustração ao se pensar em ter que abandonar a montanha, num trecho horrível de se voltar, por causa da chuva iminente, cujas primeiras gotas já sentíamos em nossa pele  (estávamos totalmente cercados por densas nuvens), o medo de enfrentar uma tempestade elétrica por lá (trovões ecoavam acima da gente), o cagaço de sempre ao se fazer os rapéis que partem do cume do Dedo de Deus (não importa se uma ou 10 vezes: cada vez que volto lá, me borro de medo).

O aniversariante no trecho mais crítico, a Variante Maria Cebola

O aniversariante no trecho mais crítico, a Variante Maria Cebola

O sempre encagaçante rapel do Dedo

O sempre encagaçante rapel do Dedo

Ok, tudo isso é verdade. Mas nada disso é incapaz de superar os momentos de companheirismo ao se compartilhar um simples farnel ou a pouca água que se tem, de cumplicidade na hora de dar segurança, de solidariedade ao se segurar uma mochila pesada, de alegria ao se rir das várias situações hilárias que sempre acontecem na montanha, mas, principalmente, das reclamações do Carlos Alberto, se “estrupiando” todo durante a escalada, de felicidade, emoção e choro, no cume, ao se vencer tamanho desafio e entregar de presente, a um querido amigo, o prazer de poder visitar um cume tão emblemático, mítico, transcendental. Um presente imaterial, cujo o verdadeiro valor está muito distante de ser mensurado. É difícil traduzir tudo isso em palavras. É algo que – me perdoem o clichê – somente esses 10 sortudos que lá estiveram sabem do que estou falando:

Os 10 do Dedo

Os 10 do Dedo

Visual zero do cume. Sem avistarmos as belas montanhas ao nosso redor, sem pássaros voando, sem observarmos nem Teresópolis aos nossos pés, nem a Baía de Guanabara e a cidade do Rio de Janeiro ao longe. Mas não importava. Éramos só nós e a montanha, numa intensa relação de mais de 16 horas. Como se Deus, o dono do Dedo, dissesse:

“Preparei esse cenário para que vocês não se distraíssem com nada e vivessem, intensamente, somente entre vocês, cada momento na minha montanha.”

Valeu chefia, pois melhor, impossível! Não foi, Carlos Alberto?

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