Ken Wilber

“Se você viu, deve falar. Fale com compaixão, fale com furiosa sabedoria, ou fale habilmente, mas fale.” (Ken Wilber)

Ken Wilber

Ken Wilber

A ideia de falar aqui no blog sobre Ken Wilber e sua fantástica Teoria Integral não é nova. Ela vem desde “Boomerite”, o primeiro livro dele que li. Mas a inércia e a maneira de como iria abordar, de uma forma clara, sua obra, criaram uma certa “barreira”, mesmo após ter lido outros livros dele. Mas eis que ao ler um pequeno texto de Wilber, chamado “Uma Espiritualidade Que Transforma” (cujo texto completo, em português, pode ser lido aqui, no site do Ari Raynsford), me deparei com a frase que destaquei para começar esse post. Era o incentivo que me faltava para começar a me mexer e divulgar a obra de Wilber e a Teoria Integral.

Mas, para falar a verdade, a primeira abordagem do blog em relação a este escritor, filósofo e pensador não é de minha autoria. Até poderia ser, escrevendo algo baseado nas obras que li até o momento. Mas julguei oportuno “começar pelo começo”. Além do link lá em cima para a página dele na Wikipédia, contendo um resumo do mesmo, existe uma ótima entrevista do Ken Wilber para o jornalista Felipe Cherubin, publicada no PapodeHomem, a primeira dada a uma publicação brasileira (curiosamente uma online, e não uma impressa). Mas além da entrevista, no mesmo site tem uma espécie de “introdução” à obra de Wilber, que tanto o autor da entrevista quanto eu recomenda que seja lida antes da entrevista. Essa introdução (ou a parte 1 da entrevista), pode ser lida aqui.

A seguir, alguns trechos dessa entrevista.

***

FC: Os temas da religião, ciência e espiritualidade são constantes em sua obra. Como você os entende?

KW: Eles são claramente três das mais importantes disciplinas que os seres humanos abraçam e são variações do Bem, da Verdade e da Beleza (ou Moral, Ciência e Arte).

A ciência, naturalmente, é muito importante por causa dos insights e a verdade que ela propicia nas dimensões objetiva e interobjetiva. As ciências trouxeram uma contribuição enorme ao mundo moderno e pós-moderno nos dando de tudo, desde a cura de doenças até nos colocar na Lua. É claramente uma parte importante do esforço humano no mundo.

Já a espiritualidade e a religião são interessantes porque ambas estão se tornando cada vez mais separadas. É comum para as pessoas nos Estados Unidos dizerem que “São espirituais mas não religiosas”, ou seja, elas estão separando ambas, elas se identificam com o espiritual mas não com a religião, existe algo sobre a religião que eles não apreciam e existe algo na espiritualidade que eles gostam e esta é a razão deles se definirem daquela forma.

A espiritualidade significa uma consciência mística de uma experiência imediata, que passa diretamente por alguma forma de experiência que não pode ser descrita como parte de alguma mitologia ou dogma, mas pura e simplesmente uma experiência imediata. A religião para essas pessoas significa as formas institucionais de religião e seus mitos, crenças e dogmas; e elas não se sentem mais confortáveis com esse tipo de religião mas se sentem confortáveis com aquilo que eles denominam de espiritualidade, que consiste em não acreditar em dogmas e sim em um processo que emerge na consciência pessoal.

Claramente ambas existem e são importantes para os seres humanos. Provavelmente cerca de 60% da população mundial frequenta algum tipo de religião institucional, seja ela islamismo, judaísmo, cristianismo, budismo ou hinduísmo, eles acreditam em seus fundamentos, sendo muito importante o significado de tudo isso em suas vidas.

Essas questões são centralmente importantes para a condição humana e , assim, continuo a escrever sobre ciência, espiritualidade e religião em uma tentativa de mostrar como elas se fundem e como elas podem ser incluídas em uma visão de mundo coerente.

Ken Wilber em uma mais uma entrevista

Ken Wilber em mais uma entrevista

FC: Você escreveu um livro chamado “Uma Teoria de Tudo”. Você têm uma teoria para tudo ou isso é uma paródia?

KW: O título foi uma brincadeira que fiz. A razão porque escolhi esse título é que, de fato, no mundo da física existe uma busca daquilo que se convencionou chamar “Uma Teoria de Tudo”. O que eu quis fazer foi dizer:

Espere um pouco, o que vocês estão chamando de “tudo” na realidade engloba uma parte muito pequena do mundo. Ao chamá-la de tudo e ao dizer que vocês têm uma teoria para tudo, vocês estão sendo incrivelmente reducionistas, ligando-se a um materialismo incrivelmente limitado onde não há espaço para o mundo interior: a consciência, as emoções, os valores, o bem e a beleza.

Vocês reduzem o mundo a quatro forças – força nuclear forte, força nuclear fraca, força eletromagnética e força gravitacional –, alegam que essas são as únicas forças que existem na natureza e assim, na teoria de tudo, vocês mostram apenas como essas forças interagem.

Bem, não resta dúvida de que seria uma descoberta importante se, de fato, fosse possível criar um único modelo físico que englobasse toda a realidade do mundo em que vivemos. Contudo, eu dei esse título para caçoar dessa noção de que você pode reduzir tudo a um punhado de partículas.

Uma outra razão porque eu usei esse título foi porque, se você quer uma teoria que vai falar sobre tudo, então eu ofereço um modelo que, pelo menos, engloba muito mais aspectos da realidade. Este meu livro foi, portanto, uma maneira de chamar a atenção para o fato de que a busca desse tipo de materialismo científico é, na realidade, uma filosofia muito pobre. Um alerta para que as pessoas tenha cuidado com esse reducionismo simplista.

***

Obviamente que isto é muito pouco para se julgar a obra de um intelectual. Principalmente uma obra de tamanha profundidade e poder transformador. Por isso, sugiro enfaticamente a leitura da 1a. parte da entrevista e, depois, da entrevista completa. Tenho a mais absoluta certeza de que será um tempo bem empregado…

E para aqueles que se interessaram pela Teoria Integral, sejam bem-vindos! Espero, em breve, falar mais sobre Ken Wilber e sua obra por aqui. Aguardem.

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3 respostas para Ken Wilber

  1. Nanda Botelho disse:

    Não conhecia este filósofo. Mas o livro não me pareceu estranho. Achei muito bom, unir as formas de perceber o mundo é rico, ciência e religiosidade são apenas dois pontos de vista que se complementam. e é bom, quando pessoas começam a ver isso e escrever sobre. Gostei muito do tom ponderado e inclusivo do autor. Lerei mais sobre suas ideias que são as minhas também.

    • cadulessa disse:

      Oi Nanda, tudo bem?

      Wilber é um autor genial! Fico surpreso como ele consegue passar tanta informação e conhecimento de uma maneira tão clara, simples e descomplicada. Um autor prolífico, sem sombra de dúvida. E você resumiu muito bem: ponderado e inclusivo. E o objetivo da obra dele é justamente esse: TRANSCENDER e INCLUIR os vários níveis do ser e do saber disponíveis para nós, humanos.

      Mas no início não foi tão fácil assim. O primeiro livro dele que me foi recomendado ler foi o “Uma Teoria de Tudo”. Comprei e comecei a ler. A experiência não durou 10 páginas! Quase tudo o que lia eu não compreendia. Confesso que, no início, foi meio complicado sacar a essência da Teoria Integral. Meio paradoxal isso, já que afirmei aí em cima que Wilber passa seu conhecimento de maneira tão simples e descomplicada…

      Só depois fui perceber que a “complicação” não estava na maneira dele escrever e passar as ideias, mas em mim! Era eu que não estava minimamente “preparado” para encarar o “Uma Teoria de Tudo”. Metaforicamente falando, eu era um aluno do ensino secundário tentando entender física quântica e equações diferenciais de 3 ordem! rsrs.

      Agora não me lembro direito como seu deu exatamente, mas lembro de ter lido outra dica, que era ler, primeiro, “Boomerite”, um dos poucos (se não for o único), livros de ficção do Wilber. Neste livro, ele passa o conceito primordial de níveis da consciência humana (e sua evolução) – que é fundamental para se entender a Teoria Integral -, de forma bem suave e divertida, exemplificando de várias maneiras ao longo do livro. Vale MUITO a leitura! Por isso (mas não apenas), em caso de alguma dificuldade de se entender Wilber nos seus livros, digamos assim, mais “acadêmicos”, sugiro FORTEMENTE ler “Boomerite” antes. Eu não dava nada por ele quando comprei-o (até pela arte de sua capa, meio “bobinha”. Veja lá se não acha o mesmo…rs), mas considero “Boomerite” um dos livros mais importantes que li. Daqueles que podemos notar grandes mudanças em nós após a leitura.

      Voltando ao “Uma Teoria de Tudo”. Este livro meio que “condensa” muitas das obras dele, e isso em cento e poucas páginas. Para cada página lida, eu precisava parar um pouco para “digerir” a ideia transmitida. Mas, apesar de denso em termos de conteúdo, ele usa uma linguagem simples, acessível. Enfim, grosseiramente, podemos considerar “Uma Teoria de Tudo” um belo resumo de sua obra, até então. Vale cada página lida.

      Para finalizar, a título de curiosidade, vou listar aqui os livros que li de Wilber em ordem de leitura:

      1. “Boomerite”;
      2. “Uma Breve História do Universo” (considerado um “resumo” de outro livro dele, “Sex, Ecology and Spirituality [sem tradução ainda para o português]);
      3. “Uma Teoria de Tudo” (nesse momento sim fez todo o sentido para mim!)
      4. “A União da Alma e Dos Sentidos” (onde ele consegue, magistralmente, unir Ciência e Religião).

      Atualmente estou lendo uma série de textos de Wilber traduzidos pelo Ari Raynsford e que estão disponíveis da seção “Sala de Leitura” do site dele (link no texto principal). Depois, pretendo ler “A Visão Integral” e, posteriormente, “A Prática da Vida Integral”. Esse dois últimos, já comprados e aguardando sua vez na sala de espera…rsrs.

      Caso se aventure mais a fundo na obra de Wilber (o que sugiro enfaticamente, não somente a você, mas a qualquer buscador sincero que queira buscar outras verdades além dos nossos sentidos), fique a vontade para se expressar por aqui. A ideia do blog é justamente essa, de criar um espaço para esse tipo de troca de ideias. Principalmente em relação a esta mente brilhante chamada Ken Wilber.

      Bjs!

      • Nanda Botelho disse:

        Oi querido!

        Nossa, vc está realmente muito ligado a este filósofo! rsrs

        Boa dica! Quando começar a lê-lo, farei pela ficção. Mas estava pensando inicialmente acompanhar seus posts. rsrs O seu blog me pareceu muito acessível pra mim, e com todo seu entusiasmo acredito que irei gostar muito, já guardei a página da entrevista e a ideia é acompanhar o que vc escreve.

        E aí podemos até trocar ideias!

        Obrigada pela atenção! : )

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