Quarup

“Chegou a hora de ler este livro.”

O livro

O livro

Este foi o pensamento que me veio após sair do cinema e assistir “Xingu“.

Já tinha ouvido falar deste livro, através do Osvaldo (Santa Cruz), grande amigo e meu mestre das montanhas, que, em inúmeras ocasiões, no clube ou nas próprias montanhas, “cansou” de me falar da importância de se ler este livro e o quanto ele era representativo para a compreensão do nosso país e de uma parte importante de nossa história. E por causa desta importância, “Quarup” acabou se transformando numa via de escalada em Petrópolis, em 1982, após uma série de investidas lideradas pelo próprio Osvaldo

O filme é igualmente fantástico. A saga dos irmãos Villas-Boas, se não tivesse sido relatada por eles na época, bem que poderia se transformar no roteiro de um romance de ficção. A busca pelo primeiro contato com os índios do Alto Xingu, as belíssimas cenas de uma natureza selvagem e até então intocada, os dramas pessoais e coletivos, tudo isso o torna um grande filme.

Uma verdadeira aula de nossa história e uma linda homenagem a esses irmãos que foram verdadeiros heróis, ao salvarem milhares de vidas dos nossos irmãos índios e ajudando na preservação de um ecossistema tão frágil, numa época em que isso não era visto como importante. Além de visionários, foram heróis de verdade e não esses de mentirinha que são inventados pela grande mídia (não dá para não se lembrar dos nossos “heróis” do Big Brother, segundo o Bial…)

Foi aí então que tirei o livro (comprado a mais de um ano em um sebo), do armário e comecei a acompanhar os dramas existenciais de Nando e sua aventura pelo Xingu…

***

O livro varre épocas distintas do Brasil no século XX. Desde o final da República Velha até o período negro da ditadura militar. E no desenrolar desses e outros fatos históricos — como o suicídio de Vargas e a ebulição do período pós-JK —  acompanhamos a vida de Nando, descrita assim na contracapa do livro:

Um jovem padre que emerge da escuridão das catacumbas para o contato com uma realidade que só é brilho e luz nas aparência. Descobrindo a si próprio como homem, conhecendo a seus semelhantes como seres humanos, não mais como entidades esquemáticas, Nando despe seu hábito, despe-se de seus preconceitos e temores e caminha conscientemente para o seu momento de glória, construído sobre o lodo do mundo“.

***

A grande aventura pela busca do centro geográfico brasileiro, assim como os primeiros contatos com os índios, descritos no capítulo “A Orquídea”, e o mergulho de Nando no seu mundo interior, após ser preso e torturado pela ditadura, narrados em “A praia”, são os pontos altos do livro, na minha opinião. E foi justamente este capítulo em especial que me motivou a escrever este texto e o próximo texto…

continua em “A praia de Nando

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